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11 de dezembro de 2009

NA LINHA DO HORIZONTE

Arquivado em: PISCINA — Tags: — sarah @ 12:40

 

 

 

 

Na linha do horizonte
Sem borda na parte posterior, a piscina se integra à paisagem - o segredo está na construção

Texto: Sandro Prezotto

Olhando para uma piscina de fundo infinito, ou também chamada de borda infinita, a impressão que temos é de que a lâmina da água encontra a linha do horizonte. A proposta encanta, confere mais elegância ao projeto e, apesar de exigir uma execução mais cuidadosa e trabalhosa, a obra é semelhante à da convencional. A principal diferença é que o lado que faz limite com a paisagem não tem borda, permitindo que a água passe sem barreiras. Logo abaixo, há um tanque, um espelho d’água ou uma canaleta, contornando a área de transbordo.

Ali é recolhida e armazenada a água que será devolvida à piscina por um sistema de retorno. “É importante calcular corretamente o volume do tanque”, alerta o engenheiro civil Lineu Botta de Assis. O sistema de retorno da água é o mesmo usado na filtragem e a água que desce é reposta constantemente - é possível utilizar a mesma bomba e o filtro da piscina. Por isso, é fundamental um bom planejamento para dimensionar corretamente os equipamentos e calcular a potência necessária.

É justamente esse mecanismo que encarece o projeto. “Parte do tanque de concreto avança sobre a paisagem. Por isso, o terreno ideal para executar piscinas com bordas infinitas, quando estas estão locadas diretamente no solo, é o que apresenta desníveis. Elas também podem ser executadas em lajes de coberturas, onde há efeito similar”, justificam os arquitetos Arnaldo Razzante e Huang Kuo Che, da Ravic Arquitetura e Urbanismo.

Para construir uma piscina nesses moldes é preciso que o tanque principal seja executado em concreto. Os revestimentos internos podem ser os convencionais azulejos e pastilhas e até mesmo o vinil. “Além disso, é possível criar bordas arredondadas, degraus, cachoeiras e tudo o que se usa numa piscina tradicional”.

A obra

“O segredo está na execução. A mão de obra deve ter um cuidado maior, seguir o projeto e os detalhes à risca para conseguir o efeito desejado”.

 Um ponto imprescindível é que a piscina esteja totalmente nivelada, pois caso contrário a água não transborda por igual. Segundo Assis, a borda infinita deve ter no mínimo 1,40 m de altura, permitindo que o usuário contemple a vista de pé e com segurança. É possível ainda construir um banco de alvenaria no local, de aproximadamente 0,60 m de altura, como se fosse uma prainha.

“Para a posição da calha de transbordo não há uma medida de altura específica. Isso dependerá do efeito desejado. Se quiser um transbordo simples, a calha pode estar entre 15 e 20 cm abaixo da linha da água”. Porém, se a ideia for criar o efeito de cascata, a calha deve estar mais próxima do fundo da piscina pelo lado externo. Caso essa parte fique à vista no projeto, é preciso preocupar-se com o revestimento.

 

 

Todos os profissionais são unânimes em dizer que a impermeabilização de uma piscina de fundo infinito deve ser feita com o mesmo cuidado das tradicionais. “Além disso, não se deve esquecer que o tanque de retorno também deve ser impermeabilizado”.

Há ainda outro ponto positivo além da estética: as partículas que ficam suspensas sobre a água nas piscinas convencionais, como folhas e poeira, são rapidamente escoadas para o tanque pelo transbordamento, deixando a lâmina de água sempre limpa.

Dá para transformar

Agora, se a sua piscina já está finalizada e você se interessou por esse projeto, ainda dá tempo para mudar de ideia. “Para transformar uma piscina convencional de concreto em uma de fundo infinito deve-se analisar as interferências, como topografia e paisagem, entre outras variáveis”.

“Para isso seria necessário rebaixar de 15 a 20 cm a borda do fundo infinito e executar o sistema de retorno, recompondo as impermeabilizações”, analisa Assis. Tudo dependerá de um bom planejamento.

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